F*da pra c*ralho: Transborda e pôr do sol

Indicaí. 2017. Cobertura colaborativa por Ludimila Guimarães.

Depois de quatro dias de aquecimento n’A Autêntica – com dois shows em cada dia encerrando os debates do Sonâncias -, o Transborda chegou ao seu ápice supremo no sábado (12). O dia mais esperado do festival, com cinco bandas declarando seu amor pela música autoral na companhia do pôr do sol na linda lagoa da Pampulha.

O mormaço ainda tomava conta da orla da lagoa quando a primeira banda se preparava para entrar no palco, por volta de 15h30, e uma galera bem espalhada pela rua fechada, no entorno do museu, ainda se aconchegava. Tinha cachorro, bebê, criança, bicicleta, adulto de tudo que é jeito. Uma galera (sem medo dos carrapatos transmissores de febre maculosa) ainda esticou a toalha e se esparramou pelo gramado da margem da lagoa. O que tinha de gente bonita naquele lugar não era normal. Deve ser o pôr do sol da lagoa que estava espalhando buniteza pra todo mundo, não tem condição, BH!

Aí foi o João Carvalho começar a soltar a voz melancolicamente linda dele, que brotou gente do chão e num instante a frente do palco já estava cheia. Era El Toro Fuerte representando (com louvor) a cena da música triste em BH. Teve música do segundo disco deles, que ainda vai sair, e nem sei o nome pra falar aqui, mas pela palhinha que deram já deu pra sentir o drama. Quando o Diego Soares soltou “se o inverno não passar pra gente poder conversar; se a gente não ganhar, do chão vou te apoiar”… Pelo amorrr… Aquele vocal puxado vai lá na alma, dá um êxtase, que nem sei explicar. A gente só percebe quando acaba a música e se dá conta que acabou de ouvir “Antecipação”, que integrará o próximo lançamento da banda.

Depois desse show cabuloso, que flertou com emo, math e noise rock, fui ver o que rolava no pocket show, em frente a lojinha d’A Autêntica, que vendia os merch’s das bandas. Foi aí que conheci o Leaan, aquele trenzim de casaco amarelo e violão black fosco, e apaixonei naquela voz cheia de amor. Se não conhece, faz favor de escutar que é lindemais.

Enquanto o pôr do sol refletia na água espelhada da lagoa, agitada pelo vento, que já batia frio na gente, começava a tocar Young Ligths e aquilo já estava que nem formigueiro. O folk/rock cantado em inglês deles começou a esquentar a galera – e derreter de suor o Jairo Horsth, o vocalista barba ruiva de bela aparência da banda, que começou a se despir no palco, mas teve que parar aos gritos de “tira tudo, Jaaay!”. Tive o prazer de conhecer esse som do c*ralho, que vou te falar, não perde pras gringa.

Só lamento não terem valorizado nossa língua (confesso que não dou muita moral pra bandas autorais brasileiras que cantam em inglês), mas ok, gosto cada um tem o seu. Sem contar que, apesar da banda ser belorizontina, o Jairo foi criado nos EUA e como foi o idealizador do grupo, trouxe essa bagagem para as composições.

Fato é que o gás dos caras contagia. Jairo começou no vocal, tentou arrebentar um surdo com toda a força de seus braços e deu uma leve ‘regaçada’ no violão depois. A pinta de galã do rapaz é até uma distração, mas em cima do palco o que destaca mesmo é aquela voz forte e grave (que me lembra Bono Vox), e a sonzera que aquela banda f*da faz. Promessa da cena indie nacional.

O pôr do sol já encerrava sua apresentação, mas o festival estava só na metade. Foi bom enquanto durou. Seguimos daí com a vista noturna da lagoa, com as luzes da orla e da Casa do Baile refletindo na água e embelezando o sábado da galera que transbordava ali.

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